
21 De Novembro de 2010
Hoje, passeava pela rua ao fim da tarde, estava um bonito por do sol com um tom rosado no ar, mas um vento frio acariciava-me a cara, sentia os meus olhos chorar e o meu nariz pingar sem eu o poder evitar. No meio deste maravilhoso espectáculo, aparece ela, uma desconhecida com aspecto conhecido, era como se a conhece-se de outra época, vejo assim crescer no meu intimo algo de estranho. Senti vontade de acabar com aquela existência perturbadora que só por existir me magoava, pensei dirigir-me a ela, mas não, não ali, não naquela hora, esperaria até mais tarde. Fui para casa e assisti o filme Batman – The Dark Knight e senti-me interpelado pelo Joker, dizia ele: as armas são frias e sem sentimento, para conhecermos uma pessoa verdadeiramente devíamos utilizar uma faca, fiquei tão entusiasmado que resolvi tentar. Nessa noite saí de casa como uma faca no bolso e dirigi-me para o lugar onde tinha visto a bela jovem, mas ela não se encontrava lá. Então, escondi-me na sobra da noite, aguardando como o leão que aguarda o momento do ataque, e assim fiquei, imóvel, frio, negro. Mas começava a perder a esperança de ver alguém por isso sai do meu esconderijo, fui dar a volta ao quarteirão, mas ao virar da esquina encontro uma pessoa, uma bela jovem, normal para qualquer um, mas não para mim, para mim era a minha cobaia, insubstituível, indispensável. Dirigi-me a ela e convidei-a a passear, ela aceitou inocentemente, nesta ocasião saltava de alegria, era o meu dia de sorte. Dirigi-me com ela para o local onde me tinha escondido, longe de olhares indesejáveis. No momento em que cheguei ao lugar designado agarrei-a, agarrei-a fortemente como se tivesse medo de a perder, depois tirei a faca do bolço e, sobe os olhares da noite que nos envolvia, espetei-lha no estômago, fiz isso sucessivamente, cada facada era diferente, era como uma sinfonia, simplesmente estupendo. O sangue quente que me salpicava e me escorria pelas mãos quebrando o frio gélido da noite. Quando por fim parou de se mexer, dei-lhe um “leve” corte no pescoço e ela soltou o seu último suspiro, foi então que exclamei: “eu amo-te, amo-te minha querida”. Foi nesta noite que nasceu este diário porque foi também nesta noite que nasceu um assassino.